O que é o termo redpill?
O que é o termo redpill?
Há décadas vê-se um crescimento enorme de movimentos nos quais grupos de homens têm expressado discurso de ódio e estimulado hierarquias de gênero em diversos canais de comunicação na internet. Entre esses movimentos, há o movimento redpill, que é muito forte no Brasil.
O termo redpill é originário de uma cena do filme extremamente famoso Matrix (1999), em que o protagonista da trama, que vive em uma um mundo simulado virtualmente (matrix), precisa escolher entre duas opções: a pílula azul, que o mantém preso a essa realidade ilusória, ou a pílula vermelha, que o desperta para a realidade. Com o passar dos anos, na década de 2000, homens se apropriaram desse conceito e passaram a espalhar manifestos misóginos on-line, principalmente em plataformas como Reddit e 4chan, com um discurso disfarçado de “retomada de consciência”. Essa subcultura se consolidou na sociedade ao atrair jovens e adolescentes frustrados e com dificuldades em suas vidas afetivas ou profissionais, que se sentiam acolhidos e entendiam que aquela era uma forma de se livrar de seus desapontamentos.
O movimento propaga que os homens perderam espaço diante das mulheres conforme o avanço social e tecnológico nas últimas décadas e que devem recuperar sua “posição natural” na sociedade. Dizem que o feminismo teria “passado do ponto” ao promover igualdade e, agora, passa a favorecer as mulheres em todos os aspectos; defendem o masculinismo, conjunto de ideias que busca valorizar e resgatar papéis sociais considerados tradicionalmente masculinos; sustentam o “macho-alfa” como ideal de comportamento masculino, centrado em liderança, força, desapego emocional e domínio; e complementam que os homens que não se adequam ao movimento são manipulados por um sistema que favorece as mulheres e, por isso, são fracos e rotulados como “betas”.
Como exemplo brasileiro, temos o influenciador Thiago Schutz, 37 anos, com mais de 35 mil seguidores no Instagram. Ele é acusado por mulheres com quem se relacionou de agressão, tentativa de estupro, violência psicológica e ameaças. Thiago é um dos “cabeças de frente” do movimento no país.
Segundo especialistas, esse discurso fomenta ações concretas de violência principalmente contra as mulheres. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2025 foi o ano de maior número de feminicídios dos últimos 10 anos, visto que 1.568 mulheres foram assassinadas, triplicando as vítimas de 2015, quando ocorreram 535 mortes.
A feminista e ativista Lola Aronovich, que sofre ataques misóginos na internet desde 2008, entende que os agressores têm um perfil bem parecido. “Desde o começo do meu blog, percebi que são homens héteros, de extrema direita. Todos apoiam lideranças como Bolsonaro e Trump. Esses homens sempre carregam um combo de preconceitos. Não são apenas machistas. São também racistas, homofóbicos, gordofóbicos, xenófobos, capacitistas”, diz Lola.
EUA e Irã lançam propostas de cessar-fogo
Após rejeitar a proposta dos Estados Unidos, Irã lançou uma contraproposta com cinco condições
Na terça-feira de 24 de março, foi divulgado pela imprensa estadunidense o plano de cessar-fogo de Trump, enviado ao governo do Irã. Seguem alguns termos do que seria o rascunho do plano de paz:
O Irã deve cessar o financiamento e armamento de seus afiliados regionais e abandonar o uso de grupos armados;
As instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow devem ser desativadas e destruídas;
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) toma a supervisão e transparência sobre as atividades no Irã;
Deve-se dar fim aos armamentos nucleares já existentes e acumulados;
Compromisso de nunca buscar o desenvolvimento de armas nucleares;
Material nuclear nenhum será enriquecido em território iraniano, e todo material já enriquecido tem de ser entregue à AIEA;
O Estreito de Ormuz permanecerá aberto e constituirá uma “zona marítima livre”;
Os mísseis do Irã estarão sujeitos a uma decisão futura, mas serão limitados em quantidade e alcance, e destinados apenas à autodefesa.
Em troca disso, o Irã “ganharia” a remoção de todas as sanções e ameaças de renovações de novas sanções, além da assistência do governo estadunidense no desenvolvimento de um projeto nuclear civil em Bushehr para a produção de eletricidade.
Após isso, na quarta-feira de 25 de março, o Irã rejeitou publicamente a proposta, chamando o plano de “excessivo e desconectado da realidade”, e disse que Trump não ditará o fim do conflito. "O Irã encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas", afirmou Teerã.
Houve uma contraproposta também do governo iraniano, entre as condições, estão:
Interromper totalmente as agressões e os assassinatos por parte dos EUA e Israel;
Deve-se criar mecanismos para garantir que a guerra não seja reiniciada;
Pagamento de indenizações e reparações de guerra;
O encerramento da guerra em todas as instâncias e para todos os grupos de resistência envolvidos em toda região, como o Hezbollah;
Reconhecimento e garantias internacionais quanto ao direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz.
A criminalização da misoginia foi aprovada pelo Senado Federal
O texto agora será encaminhado para a Câmara dos Deputados e, se aprovado, para a Presidência.
Na última terça-feira, 24 de março, o Senado Federal aprovou o projeto de lei que criminaliza a prática da misoginia, incluindo-a entre os crimes de preconceito ou discriminação (PL 896/2023). O texto, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB) e relatado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos), foi aprovado com 67 votos a favor e nenhum contra. O projeto agora seguirá para a Câmara dos Deputados e, se aprovado, será encaminhado ao presidente Lula.
Segundo um levantamento da Secretaria de Segurança Pública, o Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios da última década. Dados mostram que 1.568 mulheres foram assassinadas em razão de sua condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando houveram 1.492 casos. O crescimento do número de crimes violentos contra a mulher acendeu um alerta para a população e para a classe política.
O texto, em termos jurídicos, define a misoginia como “o sentimento de ódio, repulsa ou aversão às mulheres [...]. É uma forma extrema e repugnante de machismo, que deprecia as mulheres e tudo que é considerado feminino, podendo manifestar-se de diversos modos”.
Com a aprovação, o projeto foi incluído na Lei de Crimes de Preconceito, legislação que pune a discriminação por raça, religião e origem. Dessa forma, a misoginia deixou de ser apenas tipificada como injúria, para ser considerada também como crime. A pena para esse tipo de infração é de dois a cinco anos de prisão, além de multa.
Entretanto, apesar da aprovação, o projeto levantou discussões acaloradas, tanto no plenário quanto na internet. Alguns senadores, em discordância, apontaram os riscos à “liberdade de expressão” e à banalização da Lei de Racismo. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência em 2026, por exemplo, apesar de ter votado favoravelmente pelo projeto, afirmou que a votação foi “uma grande armadilha do PT” para tentar prejudicar sua imagem perante o público feminino em ano eleitoral. Além disso, disse que o texto é “subjetivo” e que espera que a Câmara dos Deputados arquive ou faça alterações no projeto.
Em contrapartida, a relatora do projeto, Soraya, afirmou que “O projeto é para proteger a família, a dignidade e a liberdade das mulheres. A aprovação do projeto responde a uma realidade urgente. O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, é crescente e ceifa vidas todos os dias”
Estreito de Ormuz, importante canal de transporte de petróleo e gás natural, foi bloqueado após novos ataques
Preços de combustíveis, alimentos, fertilizantes e outros produtos já estão sendo afetados.
Novos ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro levaram o Irã a decretar o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo passam. A decisão impactou drasticamente a economia mundial, especialmente os preços de combustíveis, considerando o caráter de importância de uma das vias navegáveis de petróleo mais movimentadas do mundo.
O canal, limitado ao norte pelo Irã e ao sul por Omã e pelos Emirados Árabes Unidos, possui cerca de 50 km de largura na entrada e saída, além de 33 km de largura em seu ponto mais estreito. Ele também separa o Irã (ao norte) da Península Arábica (ao sul), onde ficam países como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, entre outros.
Apenas em 2025, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e derivados passaram pelo Estreito de Ormuz por dia, segundo estimativas da Administração de Informação Energética dos EUA (EIA). Isso representa quase US$ 600 bilhões (R$ 447 bilhões) em comércio de energia por ano. Entretanto, além do petróleo, cerca de 20% do GNL mundial também é transportado pelo estreito, principalmente do Catar. Em 2024, o Catar exportou cerca de 9,3 bilhões de pés cúbicos por dia (Bcf/d) de GNL pelo estreito, e os Emirados Árabes Unidos cerca de 0,7 Bcf/d.
Os números assustam e, infelizmente, o problema torna-se maior ao considerar que, além de petróleo e gás natural, outros produtos essenciais movem-se pelo Estreito de Ormuz. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de um terço dos fertilizantes do mundo, como ureia, potássio, amônia e fosfatos, passa pelo Estreito de Ormuz. A Organização Mundial do Comércio (OMC) mostrou que, desde o início do conflito, os envios de produtos relacionados aos fertilizantes praticamente colapsaram. Essa queda impactará a produção agrícola mundial, o que subirá os preços globais do trigo em 4,2% e os de frutas e vegetais em 5,2%, por exemplo.
Além disso, a BBC Verify, serviço de verificação da BBC, apontou que os preços de diversos produtos, como smartphones e medicamentos, podem ser impactados, já que o número de navios que passam pelo Estreito de Ormuz, que antes da guerra passavam de 100 por dia, diminuíram drasticamente. De acordo com os dados, o tráfego diário caiu cerca de 95% desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro.
Até o momento, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que um um grupo de 22 países composto por membros da Otan e aliados do Oriente Médio, da Ásia e da Oceania está preparando uma "iniciativa" para reabrir o Estreito de Ormuz e "assegurar" a navegação segura e livre de navios, entretanto, nada concreto foi feito.
A escravização de africanos se torna o maior crime contra a humanidade
A Organização das Nações Unidas, além de aprovar resolução, propôs medidas de reparação histórica
Nesta quarta-feira (25/03), a ONU aprovou a proposta feita por Gana que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como um dos mais graves crimes contra a humanidade e defende reparações históricas. Durante os séculos XV e XIX, estima-se que cerca de 12,5 milhões de africanos foram sequestrados e enviados à força para as Américas, além de mais de 2 milhões que morreram na travessia. Quase 5 milhões desses escravizados vieram para o Brasil.
A resolução foi votada entre 178 Estados-membros da ONU, com o apoio de 123 países, incluindo o Brasil. Nessa votação, 52 nações se abstiveram – de grande maioria países europeus, como Portugal, Espanha, Reino Unido e França – e apenas 3 se posicionaram contra: Estados Unidos, Israel e Argentina, argumentando que “não reconhece um direito legal a reparações por injustiças históricas que não eram ilegais sob o direito internacional no momento em que ocorreram”. A votação ocorreu em uma sessão especial da ONU justamente pelo Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos, celebrado em 25 de março.
Essa resolução, segundo Gana, busca abrir caminho para políticas de reparação aos descendentes das populações escravizadas e, principalmente, assegurar justiça. No momento atual, a única nação europeia a formalizar um pedido de desculpas foram os Países Baixos. "A adoção desta resolução serve como uma proteção contra o esquecimento. Também desafia as cicatrizes persistentes da escravidão", afirma o presidente de Gana, John Mahama.
O tráfico de escravos transatlântico foi o maior deslocamento forçado de pessoas à longa distância ocorrido na história, que cresceu a partir de uma fonte de demanda de mão de obra nas Américas, impulsionada pelos europeus. Nesse contexto, Portugal possuía diversas feitorias na Costa-Oeste do continente africano e adquiriam mão de obra via escambo, em que os africanos capturados em guerras com povos rivais eram trocados por joias, metais preciosos, armas, tabaco, etc. A compra de escravizados se intensificou devido ao aumento da produção açucareira no Brasil, que os traziam em navios negreiros e em condições desumanas. Em porões minúsculos e sem nenhuma higiene, eram forçados a dormir onde realizavam suas necessidades, sempre nus e, se algum escravizado falecesse, seu corpo apodrecia entre os outros.